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Uma nova rota da seda e uma exposição a precisar de contraditório

Está por estes dias patente na Galeria do Paço uma exposição sobre o projeto chinês para o “Belt & Road”, uma iniciativa que pretende ser uma nova rota da seda, tornando-se o motor da criação de um corredor económico pujante a ligar Ásia e Europa e que, dado esse objetivo, tem tido numa fase inicial um foco primordial na mehoria das redes de transportes entre estas regiões.

De facto, é inegável a importância de divulgar e promover a discussão sobre um empreendimento que já vai moldando o presente e o futuro da Eurásia e é salutar que a Universidade do Minho se envolva nesse esforço. Todavia, falta a esta exposição um fator que deveria ser essencial – ainda para mais dado o envolvimento de uma instituição de ensino superior –, uma perspetiva crítica, já que esta se cinge a um conjunto de expositores organizados pelo representação da República Popular da China, não dispondo de qualquer outro contraponto, comentário ou fonte.

Ora, como seria de esperar dado este cenário, o que nos é apresentado é uma visão idílica do “Belt & Road” como um promotor de desenvolvimento económico e social, tentando vender-se uma versão ocidentalizada e globalista da República Popular da China, que se identifica com os mais elevados princípios humanistas e que propaga pelo mundo a prosperidade.

É certo que há aspetos positivos a salientar nesta iniciativa, como o fomentar do comércio internacional e, especialmente, a cooperação transfronteiriça e o planeamento conjunto de infraestruturas. Mas, como se costuma dizer, o diabo está nos detalhes.

Desde logo, não se pode deixar sem resposta que a República Popular da China apregoe, no seu projeto bastião como ator global, como valores fundadores do mesmo a paz e cooperação, quando insiste em impedir a República da China (Taiwan) de aceder às organizações internacionais de nações, ou da abertura e inclusividade, simultaneamente segregando e explorando a minoria uigur da província de Xinjiang.

Esta é também uma ferramenta chinesa para aumentar a sua esfera de influência e espalhar o seu modelo de desenvolvimento, cujas prioridades não se coadunam com os valores europeus de liberdade e de respeito e promoção da diferença. Se queremos viver num mundo em que estes continuam a ser os princípios fundacionais, o bloco democrático tem de enfrentar o bloco autoritário e não se permitir a trocar o futuro do nosso estilo de vida por ganhos económicos imediatos.

Não obstante, o mais trágico resultado desta iniciativa advém do seu modo de funcionamento. Em grande parte, os projetos que nela se enquadram são financiados por investimento chinês que procura inundar países em desenvolvimento de dívida pública para posteriormente obter dividendos da sua expectável incapacidade de cumprir os compromissos financeiros assumidos. Produzem-se, então, efeitos duplamente preversos: reduz-se a capacidade de investimento a longo prazo de países que dele muito precisam para melhorar as condições de vida das suas populações e transformam-se estes estados em proterados súbditos dos interesses chineses, numa versão modernizada da colonização.

Através do “Belt & Road”, a República Popular da China diz querer fazer alcançar uma “Comunidade de futuro partilhado para toda a humanidade”. O chavão é bom e, tal como a exposição, quase nos leva a crer na bondade da ideia. A questão que, porém, não nos pode sair da cabeça é a de que futuro partilhado seria esse. Pelas amostras que temos, não será um de respeito pela individualidade nem de igualdade entre as nações. E, assim sendo, cabe-nos rejeitá-lo com convicção.

 

Artigo de opinião de José Baptista, jurista.

José Baptista, Jurista,

 in Braga TV,Lynk

29/07/2022

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