AS DÉCADAS PERDIDAS: PARA ONDE VÃO OS IMPOSTOS

Tendo em conta os primeiros dados provisórios, estima-se que em 2022, perto de 45% do que os portugueses produziram tenha sido gasto pelo Estado sob a forma de encargos com funcionários públicos (despesas de pessoal), prestações sociais, fornecimentos e serviços externos, juros, investimento público, entre outros.

Percorremos um longo caminho desde os 14% contabilizados no longínquo ano de 1953, assistindo a partir daí a uma gradual evolução que chegou mesmo a atingir pesos superiores a 50% durante os governos constitucionais liderados por José Sócrates e Passos Coelho.

Como vão as minhas Finanças? O cacete dentro das margens

“Lucros de 50% não podem ser permitidos. Governo não exclui fixação de margens.”
Estas foram declarações de um deputado do PS na Assembleia da República 1 . E esta não é a
única voz a comentar este “assunto”:
– Subida de preços deve-se ao aumento das margens de lucro de grandes empresas.
– Devemos limitar a 15% a margem de lucro nos bens alimentares essenciais.

AS DÉCADAS PERDIDAS: O FARDO DO ESTADO

Durante o mês de Julho, é frequente ouvirmos dizer que finalmente vamos começar a trabalhar
para nós próprios, pois até essa altura estivemos a trabalhar para o Estado. Sim, isso tem sido verdade nos
últimos anos, mais propriamente desde 2009, ano em que a despesa do Estado pela primeira vez
ultrapassou 50% do PIB. A última vez que ultrapassámos esse valor foi em 2014, e desde então continua lá
muito próximo. Por exemplo, em 2021, as estimativas apontam para que tivéssemos estado a trabalhar
para o Estado até finais de Junho.

A Cigarra Tonta e a Formiga Sobretaxada

Caro leitor, é possível que já esteja familiarizado com a fábula da formiga e da cigarra. Nesta história milenar, a cigarra passou o verão a cantar enquanto a formiga armazenava comida para o inverno. Quando o inverno chegou e a cigarra ficou sem comida, a formiga, generosa, ajudou-a e ensinou-lhe a importância do trabalho e da previdência. Talvez o leitor esteja a questionar-se sobre a relevância desta história. Para que serve?

AS DÉCADAS PERDIDAS: OS RICOS E OS POBRES

Há dias foi notícia o facto de, em Portugal, haver em 2022 o quíntuplo dos ricos face a 2014 (1). As redes sociais inflamaram com protestos de indignação. Não é importante para nenhum dos indignados que os 5000 “ricos” tenham contribuído com 40% da totalidade da execução orçamental; também não é importante que nem sequer um terço destes sejam cidadãos, pois mais de dois terços são empresas; e é completamente irrelevante que este número tenha aumentado também por causa de uma mudança nos critérios para classificar “ricos”, passando a incluir contribuintes que não eram incluídos em 2014. A indignação decorre apenas da leitura do título!

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