Total de taxas pagas pelos Bracarenses ao Município em 2022 (até ao momento)

Ameaçar com coisas boas

Não sabemos qual a intenção das afirmações de Pedro Nuno Santos sobre as consequências de eventual não aprovação do plano da TAP por Bruxelas. Preparar para decisão adversa? Dramatizar para promover a celebração em caso de aprovação? Já veremos.

Sabemos é que a generalidade das reações demonstra que provocou um efeito que não desejava: é cada vez mais consensual que a nacionalização foi um desastre. Mais a sério ou em tom irónico, torna-se evidente que a cada dia que passa mais e mais portugueses veriam a liquidação da TAP como um alívio, apesar do dinheiro que já foram chamados a enterrar na companhia e que, de uma forma ou de outra, sabemos que não poderão recuperar. Pedro Nuno Santos não percebeu que nos estava a ameaçar com coisas boas.

Na verdade, já só praticamente o PS ainda defende o caminho que escolheu. É um mecanismo psicológico a que podemos chamar de escalada de compromisso: a vinculação a uma decisão da qual os socialistas foram os autores não lhes permite ver a realidade e negam-na com cada vez mais força. Ou então será apenas hipocrisia e cálculo eleitoral de quem não pode reconhecer o erro cometido, nem admitir que, um a um, todos os argumentos que foram utilizados para justificar a intervenção pública mais não eram do que falácias.

Mas, independentemente do que vier a acontecer em Bruxelas, há ainda um outro facto que é óbvio: quando Costa e Pedro Nuno Santos apresentaram o plano da TAP, não tinham sequer certeza sobre a viabilidade jurídica do caminho que escolheram. Há um ano, o Governo anunciava que esperava uma decisão favorável em Março de 2021. Estamos em Dezembro. E as palavras com que Pedro Nuno Santos nos quer agora condicionar, seja em que sentido for, revelam os perigos de uma aventura para que ambos arrastaram os portugueses.

Precisamente há um ano, o mesmo Pedro Nuno Santos que anuncia a catástrofe se o plano não for aprovado em Bruxelas, dirigia-se aos portugueses para lhes prometer que, em 2025, a TAP já estaria em condições de começar a devolver algum do dinheiro ao Estado (sic). Este é apenas um exemplo da arrogância e irresponsabilidade com que foi conduzido o processo. As próximas eleições legislativas em 30 de Janeiro de 2022 são o momento certo para fazer um exercício de memória e responsabilizar o Primeiro-ministro e o Ministro das Infraestruturas pelas suas decisões.

 

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