Será Braga uma cidade governável?

O resultado das últimas eleições autárquicas ditou que Braga ficasse com um executivo municipal muito fragmentado, sendo natural que os bracarenses se interroguem se a sua cidade se tornará ingovernável.

Estes primeiros três meses já permitiram perceber que existe agora uma oposição mais assertiva e um escrutínio muito mais exigente das propostas levadas às reuniões do executivo. No entanto, é também cada vez mais evidente que não existe qualquer bloqueio à gestão da cidade. Por muito dramáticas que possam ser as reuniões do executivo, e os seus ecos na comunicação social ou nas redes sociais, o que se tem passado é apenas o normal exercício da democracia.

A oposição percebe que é ao Presidente que compete governar e vai deixando passar o que considera razoável, mesmo quando não se identifica com as opções propostas. Por sua vez, o Presidente deve assumir como sua a responsabilidade política pelos resultados da execução dessas medidas.

Os bracarenses podem, portanto, ficar descansados: não só a gestão municipal não ficará bloqueada, como é até expectável que surjam ganhos significativos resultantes de maior transparência e de maior rigor na elaboração dos processos.

Contudo, a governabilidade de uma cidade não se pode restringir à gestão corrente, como se de um condomínio se tratasse. Braga precisa também de iniciativa, de uma visão para o seu futuro e do desenvolvimento de projetos estruturantes que resolvam problemas de fundo. São esses projetos que, a longo prazo, definirão a competitividade e a qualidade de vida da cidade.

A esse nível de decisão, já não se pode esperar que a oposição apenas “deixe passar”. O que está em causa são decisões politicamente muito relevantes e com impacto duradouro, que exigem consensos mais alargados. A sua concretização implicará escolhas tomadas de forma continuada e coerente ao longo de vários mandatos, possivelmente sob lideranças de diferentes forças políticas. Trata-se, portanto, de um compromisso significativo, que só será sustentável se existir desde o início um alinhamento estratégico entre os vários atores políticos.

Voltemos então à questão da governabilidade. Será possível, no atual executivo municipal de Braga, alcançar esse tipo de consensos alargados? A resposta mais conveniente será afirmar que, com a atual fragmentação política, tal nunca será possível. Parece simples, mas os eleitores são cada vez menos complacentes com politiquices de soma zero que não resolvem os problemas que verdadeiramente importam.

Dificilmente os bracarenses perdoariam se, daqui a quatro anos, descobrirem que os principais problemas da cidade, bem conhecidos e amplamente discutidos na última campanha, não só se agravaram, como nada de verdadeiramente significativo foi feito para os resolver. Este é, mais do que nunca, o momento para a classe política mostrar que, mesmo num contexto politicamente intenso, é possível fazer melhor do que uma política de trincheiras.

A Iniciativa Liberal deu um primeiro passo nesse sentido ao propor, nas Grandes Opções do Plano e Orçamento para 2026, a realização de um estudo inicial de viabilidade de um sistema de metro ligeiro em Braga. Uma solução deste tipo, semelhante às existentes em muitas cidades europeias de dimensão comparável, apresenta-se como uma alternativa séria para o futuro da mobilidade na cidade, especialmente num cenário de expansão urbana como o que se antevê após a aprovação do novo PDM. Sem um novo paradigma de mobilidade, um efeito inevitável desse crescimento urbano será o agravamento substancial dos problemas de trânsito, que já hoje desesperam os bracarenses.

Um estudo inicial permitirá consolidar uma visão mais clara e tecnicamente fundamentada sobre a viabilidade dessa solução, possivelmente abrindo caminho para um longo percurso até à sua execução. Mas esta proposta vai mais longe: propõe que a definição dos pressupostos e objetivos essenciais do estudo seja previamente acordada entre as várias forças políticas.

Isso permitirá alinhar informação tecnicamente sólida com uma visão política suficientemente consensual para enfrentar os desafios de um projeto desta natureza. Permitirá criar bases firmes para, depois, partir em busca de financiamentos. Permitirá, enfim, evitar a repetição de um processo tão doloroso como foi o do BRT.

É esta a postura que se espera de políticos responsáveis. E é com iniciativas como esta que se demonstra aos bracarenses que a sua cidade é, afinal, governável e tem rumo.

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