Total de taxas pagas pelos Bracarenses ao Município em 2022 (até ao momento)

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Era uma vez, há muitos, muito anos, um senhor que fazia pulseiras, anéis, colares e outras coisas lindas em ouro. Chamavam-lhe Ourives, exactamente porque era essa a sua profissão.

Para se proteger dos ladrões, o sr. Ourives tinha um cofre muito forte, com uma fechadura impossível de abrir, da qual só ele conhecia a combinação.  Sabendo disso, as pessoas da cidade que tinham moedas em ouro e queriam guardá-las, iam ter com o sr. Ourives, pedindo-lhe que as guardasse no seu cofre. O sr. Ourives assim fazia, e passava-lhes um papel que dizia quanto é que cada pessoa tinha depositado no seu cofre. Quando a pessoa precisava de algumas moedas, voltava a falar com o sr. Ourives e levantava as moedas que precisava.

Conforme o tempo ia passando, o sr. Ourives reparou que não estava a cobrar nada às pessoas pelo serviço que estava a prestar-lhes e grande parte do ouro que estava no seu cofre não lhe pertencia. As pessoas, de vez em quando, levantavam algum ouro, mas também depositavam. E nunca aconteceu virem todas levantar o ouro ao mesmo tempo, pelo que a quantidade de ouro que guardava das outras pessoas, não diminuía e até ia aumentando com o passar dos anos.

E reparou ainda noutra situação muito interessante: quando o sr. António precisou pagar uma carroça ao sr. Manuel, não foi levantar o ouro que tinha no cofre; o sr. António entregou ao sr. Manuel um papel, onde dizia ao sr. Ourives que lhe entregasse 4 moedas. E como o sr. Manuel também tinha o seu ouro lá depositado, as moedas continuaram no cofre.

Ora, a dada altura, o sr. Padeiro, precisava comprar mais um forno para cozer pão. Como sabia que o sr. Ourives tinha bastante dinheiro no cofre, decidiu ir pedir algum emprestado, prometendo pagar com juros conforme fosse podendo. Conhecendo muito bem o sr. Padeiro, o sr. Ourives achou que era um bom negócio ganhar algum dinheiro podendo emprestar algumas das suas moedas que não ia precisar para já. Assim, sem ter de trabalhar, ia conseguir aumentar o seu ouro. E a coisa até correu tão bem para os dois, que a dada altura já era o lenhador, o alfaiate e outras pessoas a pedir dinheiro emprestado para poderem melhorar já os seus negócios, em vez de terem de esperar ter do seu próprio dinheiro para o fazer. Só que a dada altura, eram tantas as pessoas, que o sr. Ourives já não tinha mais moedas suas para emprestar...

Mas foi então que se lembrou: – Eu já emprestei as minhas moedas todas, mas elas continuam aqui, pois as pessoas não precisam levantá-las para pagar as contas, uma vez que passam um papel a dizer que as moedas que eu emprestei agora são de outra pessoa. E se eu emprestar essas moedas uma segunda vez? E se eu emprestar também as moedas que os outros cá vieram depositar?

E com isto, o sr. Ourives começou a ver que podia emprestar muito mais dinheiro do que o ouro que tinha em depósito no seu cofre. E tudo corria bem, desde que as pessoas não se lembrassem de ir todas ao mesmo tempo, levantar o ouro todo.

Esta é a lenda dos ourives e do nascimento dos bancos.

Actualmente, os bancos já não possuem ouro nos seus cofres; em vez disso, têm depósitos em euros junto do Banco Central Europeu (BCE) . E por cada euro que tenham depositado no BCE, conseguem emprestar até 99 euros aos seus clientes. É como se o sr. Ourives, com uma moeda de ouro conseguisse emprestar 99 moedas. A diferença é que o ouro serve para fazer pulseiras, anéis, colares e outras coisas lindas em ouro. Os euros, não. Até porque a maior parte deles nem sequer existem em notas e moedas físicas.

Então, se não existe ouro por trás, o que assegura o valor dos nossos euros?

As notas de dólares passaram a dar-nos essa resposta quando a partir de 1955 passaram a ostentar os dizeres “In god we trust”.

Ou seja, nada assegura o valor dos nossos euros. Nada. Excepto a confiança que temos em que as pessoas a quem queremos fazer pagamentos, vão aceitá-los.

Os euros, tal como todas as moedas do mundo desenvolvido, são “fiat money”, ou seja, moeda fiduciária. É dinheiro que não tem qualquer respaldo numa mercadoria (como o ouro), apenas tem a “garantia” do banco central que o torna “oficial”. É dinheiro aceite com base na “fé” – moeda “fiduciária”.

Agora, quando alguém disser que esta ou aquela moeda não vale nada, porque não tem um activo subjacente, já podes contar esta história, para que a pessoa possa perceber que já há muito, muito tempo, que nenhuma moeda tem qualquer activo subjacente.

Mesmo que essa pessoa se chame Christine Lagarde e seja a presidente do Banco Central Europeu. Sim, a mesma pessoa que diz que as criptomoedas “não valem nada. Não se baseiam em nada, não há ativos subjacentes para atuar como âncora de segurança.”

Caso as afirmações não viessem da principal responsável da política monetária da Zona Euro, daria para rir.

 

Mário  Joel Queirós, Docente do Ensino Superior nas áreas de Economia e Finanças,

 in Dinheiro VivoLynk

24/05/2022

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