Total de taxas pagas pelos Bracarenses ao Município em 2022 (até ao momento)

ONE SIZE FITS ALL

Durante cerca de uma década, o resultado da política monetária do Banco Central Europeu até 2021[1], foi bem-sucedida, resultando numa inflação a rondar 1%.

Apesar de neste último ano a inflação ter ficado em 2,6%, 0,6 pontos percentuais acima dos objectivos traçados pelo próprio BCE de 2%, ainda em Agosto de 2021 nenhum estado-membro da Zona Euro tinha ultrapassado os referidos

2% de inflação. No entanto, e a partir desse momento, os preços começaram a disparar em alguns países como a Estónia, Lituânia e Bélgica. Outros, como a Grécia, Portugal e Malta, ainda conseguiram manter-se abaixo dessa meta até ao fim de Fevereiro de 2022.

Sim, o problema da subida dos preços foi criado em 2020, com uma inundação de liquidez da Zona Euro por parte do BCE, que veio pressionar os preços em 2021.

Acontece que neste momento, a seguir a uma pandemia que já vai em mais de dois anos e ainda afecta alguns países, apareceu um conflito armado na Europa, com consequências nefastas ao nível do comércio e produção de commodities. Se necessitávamos de elevar a criação de riqueza para níveis capazes de compensar (ainda que parcialmente) a enxurrada de liquidez de 2020, este conflito veio travar a fundo a recuperação que parecia ter iniciado na Zona Euro. Para controlar a inflação, é necessário subir as taxas de juro, ou seja, exactamente o que não queremos, pois estaremos a desincentivar o investimento e o consumo, comprometendo a recuperação económica.

Posto isto, já não há dúvidas que iremos registar níveis de inflação muito acima das nossas previsões de há cerca de um ano. E, para que os preços não entrem em total descontrolo, também vamos ter de sofrer com taxas de juro bem acima do que contávamos. Algo que só poderá inverter-se com uma resolução rápida do conflito armado, mas que mesmo assim, a persistência das sanções impostas à Rússia poderá atrasar em muito a tão desejada recuperação do nível de actividade.

Acontece, porém, que o BCE é a autoridade monetária de 19 países, onde se encontram economias como a Alemanha e a França, cujo PIB é de 3600 e 2500 mil milhões de euros, e outras, como Lituânia e Malta, cujo PIB é de 55 e 15 mil milhões de euros, que têm estruturas produtivas, de consumo, de investimento, e comportamento de preços, completamente diferentes.

Até Março último, Estónia e Lituânia, registaram uma inflação entre 7% e 8%, enquanto que Portugal e Malta, ficaram abaixo de 2%. E pela tendência observada, parece que o fosso vai continuar a crescer. Como curiosidade, Alemanha e França (não presentes no gráfico), tiverem uma inflação de 3,8% e 2,6%[2].

Fonte: Eurostat

Se Portugal e Malta ainda têm alguma folga para não lhes ser aplicada imediatamente uma política monetária restritiva, Estónia e Lituânia demonstram que, desde Agosto, andam a precisar de restrições no controlo da moeda. Já a Alemanha, por exemplo, só o demonstrou a partir de Novembro e a França, a partir de Dezembro.

Mas o BCE não pode ter uma política monetária restritiva para a Estónia e Lituânia, e simultaneamente, expansionista, para Malta e Portugal! As taxas de juro do BCE aplicam-se ao euro, e portanto, a todas as economias da Zona Euro. Não vai ser possível levar a cabo uma política monetária adequada às necessidades da maior parte dos estados-membros; uns vão sair prejudicados por defeito, outros por excesso. Mas já sabemos quais mais vão beneficiar da política monetária da moeda única: exactamente aqueles que têm um comportamento mediano ao nível dos preços: Alemanha, França, Itália, Países Baixos e Áustria. Aqueles que, por sinal, representam 75% do PIB da Zona Euro.

Há vantagens em termos o euro? Sem dúvida!

Há vantagens em que o euro seja uma moeda única? Provavelmente, não.

Pois tal como estamos a ver, “One size does not fit all”. 

 

[1] Eurostat, índice harmonizado de preços do consumidor, 2013-2021.

[2] Variação dos preços nos últimos 12 meses.

 

VidaEconomica

21 Abr 2022

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